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quinta-feira, 23 de abril de 2015

A técnica ninja de chute

Repetidamente, nos deparamos na internet (particularmente em grupos de facebook) com técnicas "fantásticas". Duplique, triplique suas chances; O segredo da aprovação; Agora você será aprovado... etc. Um dos erros mais comuns dos candidatos é justamente perderem seu precioso tempo de estudo nessas bobagens.




Alvo constante dessas abordagens "milagrosas" é a técnica do chute. Já falei sobre isso antes, para o caso particular da banca CESPE. Agora vou desconstruir outra "técnica", desta vez para provas com 5 alternativas (o mesmo raciocínio vale para 4 ou qualquer número de alternativas).

Resumidamente, a "técnica" diz o seguinte:
- você marca as que sabe;
- conta a alternativa que menos marcou;
- chuta o restante nessa alternativa.

A premissa é a de que "as alternativas são balanceadas, aproximadamente 20% de cada". Logo, se marco a que marquei menos aumento os meus acertos.

De fato, a premissa está certa, mas a tese não. Basta lembrar da tabela-verdade de Se A então B. Premissa correta não valida tese errada!

ABA→B
VVV
VFF
FVV
FFV

Como testar se essa técnica é válida? Basta compará-la com um caso de controle, que é responder 100% das questões de acordo com a sua opinião.

Para testar a validade da técnica, simulamos milhões (literalmente) de vezes para diferentes casos. Variou-se tanto o % da prova em que a "técnica" foi usada (variando de 0% [controle] até 25%), quanto a proficiência dos candidatos (os advogados da "técnica" dizem que ela funciona melhor para os melhores candidatos - mais proficientes).

Eis os resultados:



As linhas representam o quanto o candidato sabe (mais pra baixo sabe mais), as colunas o quanto da "técnica" foi utilizada (a primeira coluna não usa a técnica, é a referência). Os valores apresentados são os % de acerto.

É natural que quem sabe mais acerte mais (descer nas linhas), mas veja que, quanto mais se usa a "técnica" (colunas mais a direita), MENOS se acerta!

O pior é que a "técnica" é tão mais nociva quanto melhor o candidato! Exatamente o oposto do defendido pelos advogados da "técnica", de que ela "só funcionaria para quem estuda".

"Mas comigo funcionou!", alegam alguns. Claro que para casos particulares eventualmente pode funcionar, mas na média não funciona. Ou seja, essa "técnica" diminui sua chance de aprovação! Veja abaixo para qual percentual essa "técnica" funciona:



Para um candidato muito proficiente (top 2% = percentil 98%), se ele usar a "técnica" em 5% das questões, ele tem 3,8% de chance de acertar mais do que acertaria se não usasse a "técnica". Bem animador...

Cuidado com abordagens "milagrosas"! Tenha em mente que o que funciona é meta, planejamento, estudo e simulados. É um caminho duro, mas que leva cada vez mais perto, rumo à aprovação!


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Estratégia ótima de chute nas provas do Cespe

Encontra-se fartamente na internet "estratégias" para melhorar o desempenho do candidato em concursos do Cespe (tipo Certo/Errado, com uma errada anulando uma certa). Há ainda quem defenda não chutar: "para não correr o risco de perder pontos".

Para ajudar o aluno, deixamos de lado a "opinião" e calculamos efetivamente qual a estratégia ótima de chute nas provas do cespe.

O melhor a se fazer é não deixar nada em branco!


Sim... simples assim! 

O racional (errado) de quem advoga por deixar questões em branco é o seguinte: "se faço apenas as questões que tenho mais certeza, aumento o meu percentual de acerto". A premissa está correta, mas a conclusão não.


O quadro acima mostra o percentual líquido de acerto em função do número de questões resolvidas (colunas) e de quanto o candidato sabe sobre a matéria (linhas). Naturalmente, quanto melhor o aluno (maior percentil) maior o índice de acertos. Quanto menor a quantidade de questões respondidas, maior o acerto, porque responde-se apenas aquelas em que se tem maior conhecimento.

O problema é que não adianta acertar mais disputando menos pontos! O segundo efeito sobrepõe-se ao primeiro. Na média, quem chuta mais sempre terá melhor resultado, independentemente do nível de conhecimento! Os resultados estão resumidos no quadro abaixo.


E porque isso acontece? Porque a sua chance de acertar no chute só é igual a 50% se você não souber exatamente nada sobre o assunto. Se tiver a mais vaga ideia, a probabilidade de acertar já é favorável. A figura abaixo ilustra essa situação.



Mas como eu devo chutar? Apenas marque o que você acha que é a resposta correta!

Partindo da premissa (correta) de que a prova é (+-) 50% certa e 50% errada, alguns professores sugerem que se deve chutar de forma que o gabarito tenha esse perfil. Pontualmente, essa estratégia pode conduzir a bons (ou maus) resultados, mas na média, ela é inócua! Não há ganho real. 

Variando o conhecimento do candidato, a dificuldade da prova e o número de questões respondidas, em mais de 1 milhão de simulações, não houve resultado significativo. Trata-se apenas de uma superstição.

Concluindo, a única lição que a estatística nos diz sobre estratégias de chute é a de que devemos responder todas as questões

Cansado de acreditar na "opinião" de "especialistas"? Quer estudar com um viés quantitativo de verdade? Ter uma estimativa das suas chances de passar em diversos concursos e se comparar em cada disciplina? 

Acesse gratuitamente: www.qualconcurso.com.br